Espaço de discussão sobre o comportamento de consumo das crianças na Internet

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Geração Milênio – Nativos Digitais

Veja neste vídeo o comportamento de consumo online de crianças de 7 anos.

Este filme foi gravado na turma de 2º ano do ensino fundamental, no colégio Gutenberg, de Mogi das Cruzes, com o propósito de observar os alunos e identificar o comportamento deles com relação à Internet. E, é parte do estudo sobre o comportamento de consumo na Internet da geração milênio (crianças nascidas após 2000) para o curso de pós-graduação da FIT – Faculdade Impacta Tecnologia.

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Nativos digitais

Pesquisando sobre o assunto nativos digitais, nos deparamos com o blog “Meu filho digital”, que, mais que um blog, é um projeto para tentar entender (e explicar) como funciona a cabeça dessas crianças que nasceram já nesse mundo mega tecnológico e conectado.

Para saber mais sobre o assunto, conversamos com Volney Faustini, o idealizador do projeto. Ele se auto-define como “um aprendiz, um facilitador e um provocador”, e nos diz que, por experiência própria, as descobertas que nós faremos com o “dedinho digital” irão mexer conosco e mudar nossas cabeças.

Veja como foi nossa conversa:

Dedinho Digital: Como você pensa que o marketing pode contribuir com a melhoria na educação das crianças brasileiras por intermédio da Internet? 

 Volney Faustini: Chega um dia em que a gente deixa de acreditar em Papai Noel. Creio que chegou o dia (ou o tempo) para não mais crermos nesse mundo cartesiano e linear – com pesquisas realizadas com crianças de 7 anos – dissecadas em gráficos de pizza.

Volney Faustini

Volney Faustini - do blog Meu Filho Digital

O ser humano é um pouco mais complexo. Ainda mais quando se trata de Nativos Digitais.

É bem possível que somente os ‘nativos’ venham entender os outros ‘nativos’. A mudança, em termos de ruptura e re-configuração dos paradigmas é muito profunda e radical. Os mais velhos não estão preparados. Por mais que tenhamos jovens nascidos em fins de 1980 entrando no mercado de trabalho, ainda é pouco para configurarmos a presença da nova geração – a dos nativos digitais puros.

 A Sociedade, e com ela, a escola, não estão preparadas. E a reboque vêm os pais, educadores, professores, assistentes, pedagogos… Se no mais importante ambiente fora do lar (que é a escola) isso acontece, o que dizer então de outros segmentos?

DD: E como podemos protegê-las?

VF: Em que sentido protegê-las? Dos retrógrados, do passado? É claro que as crianças (e mesmo jovens adolescentes ou universitários) nada têm de maturidade. Mas é de pequenino que se torce o pepino. Podemos sim ensinar valores, dar princípios, sermos exemplo, nos mostrarmos mais humanos e mais reais. A confiança nasce muito mais forte pela autenticidade do que pela coerência. Afinal somos todos humanos e falhos. Já verdadeiros são poucos.

DD: O que deve ser analisado pelas marcas antes de iniciar uma campanha online para esse público (5 a 9 anos)?

VF: Essa pergunta é difícil, posso passar? Sinceramente, com toda a franqueza: as campanhas morreram. Só falta chamar o carro funerário. Esse negócio de ‘top-down’, de controlar, de efetivamente manipular, já era. Não sei como seus leitores vão reagir. Pode até suprimir essa parte – mas prefiro ser verdadeiro: mesmo crianças com menos de 10 anos já desenvolvem o radar do #fail. É isso mesmo. O cheiro do artificial, do forçado… as crianças vão perceber. Haverá maneiras de seduzi-las? Provavelmente sim. Mas será correto? Será digno? O futuro certamente vai cobrar. E digo mais, as gerações e suas subdivisões não acatarão as denominações de Y ou de Z… Teremos tantas e tantas tribos, que será difícil num só jeitão e estilo agradar e fazer ‘rapport’ com eles.

 DD: Como engajar os pequenos em discussões atuais como meio ambiente?

VF: Isso é praticamente natural. Os valores estão no ar (figurativamente e literal). Então eles absorvem e se ligam nisso. Vamos ter surpresa com o desprendimento com que os mais novos continuarão a abandonar ambições e desejos que eram quase que sagrados nas gerações passadas. Itens como patrimônio, poupança, trabalho sacrificial, e outras manias, não serão herdadas pelas novas gerações. Acho que de uma maneira geral, há uma consciência ecológica que ganha força e forma desde os primeiros anos escolares… portanto deve continuar.

Agora se é para fortalecer isso, talvez dando oportunidades para que se conheça mais e se converse mais sobre isso. E as redes sociais serão um caminho muito valioso e poderoso.

 DD: Comente o que mais julgar relevante.

 VF: Meu amigo, Marcelo Estraviz, insiste que a gente não pode tão somente mesmo trabalhar por um mundo melhor. Temos que pensar sim em um mundo radicalmente melhor. Temos que erguer ainda mais alta as barras do atletismo para irmos atrás de mais recordes e novos patamares. E o mundo é o nosso campo!

 *Top down – estilo de vendas baseada na abordagem do topo para a base

*#fail – “falhar”. Expressão usada para designar qualquer coisa que dê errado

*Rapport – criar uma relação de confiança e harmonia

Filhos seguros, pais tranquilos

livro Filhos seguros, pais tranquilos
Capa do livro organizado por Volney

O livro FILHOS SEGUROS, PAIS TRANQUILOS – organizado por Volney Faustini, é uma espécie de guia para que os pais entendam o potencial da Internet e contribuam com a integridade dos nativos digitais.

A obra tem como co-autores: André Valle, Daniel Sincorá, Elci Con’Je, João Paulo Rosman, Luís Fernandor Batista, Patrícia Valim, Paula Regina Adriani, Paulo Cassiano, Raphael Santos Lapa, Tatiana Tosi, Thiago Bomfim, Thiago Mendanha.  A capa foi criada por Thiago Mendanha.

O arquivo completo em pdf pode ser baixado – aqui.

Comportamento da geração Internet

*Por Vanessa Xavier

 Os pais não podem privar o filho de ter acesso à Internet. Foi com essa frase que a psicopedagoga Debora Corigliano, palestrante e autora do livro Orientando pais, educando filhos, começou a entrevista concedida ao blog Dedinho Digital. Quando perguntada como os pais devem agir com relação à Internet ela enfatiza “Os pais devem organizar uma rotina de atividades diárias com a participação do filho nesse processo, já que, assim, ele mesmo determinará o tempo para cada atividade, incluindo o tempo de acesso à Internet.”

A mudança no aspecto comportamental da geração nascida após o advento da Internet, quando comparada com as anteriores, está relacionada à quase ausência de experiências concretas. Ou seja, essa geração tem acesso fácil à fonte de informação, no entanto está mais restrita a experiências concretas. “Elas conseguem visualizar um parque em outro país, porém não andam a pé pelo quarteirão de suas residências”, comenta a psicopedagoga.

Outra diferença fundamental de comportamento é que hoje as crianças estão mais questionadoras, o que, segundo Debora, deve ser valorizado. “Por outro lado vejo pais que não estão dispostos a responder ou a participar desse momento. Dessa forma as crianças buscam fora de casa as respostas para todos os questionamentos e é aí que os valores familiares se perdem.”

Quando perguntada sobre o papel da escola nesse processo de educação e aprendizado da nova geração, Débora comenta que já se deparou com educadores que lecionam na mesma turma, com faixa etária de oito anos, mas que se esquecem que a criança de oito anos hoje é diferente da de cinco anos atrás:

Debora Corilgiano

A psicopedagoga Debora Corigliano

 

“A escola precisa ser motivadora, interessante e inovadora”, completa Debora.

 

 

 

A psicopedagoga deixa a dica: Conheça os sites de relacionamento que seu filho acessa e fique de olho por onde ele navega.

*Vanessa Xavier – Jornalista. Trabalha com comunicação há mais de 12 anos. @vanessal_xavier

Consumidor em formação – Pesquisa TIC Crianças

*Por Ana Lucia Abrão

O Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), que há cinco anos realiza as Pesquisas sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil resolveu inovar. Desta vez, além da pesquisa da população adulta, observou também o público infantil, focando a pesquisa nas crianças de 5 a 9 anos.

São crianças que nasceram em um mundo onde a tecnologia está presente o tempo todo. Para eles, celulareUso de tecnologia por criançass e computadores são tão banais quanto a TV a cores. Ainda que, como mostrou a pesquisa, haja limitações financeiras, grande parte deles já teve ao menos um contato. De acordo com as respostas dadas pelas crianças, 57% delas já utilizaram um computador, e 29% declararam já ter usado internet. O telefone celular se revelou como a mais popular das tecnologias digitais: 64% disseram já ter utilizado, sendo que 14% dessas crianças disseram já ter um aparelho.

A pesquisa foComportamento meninas e meninosi realizada no País inteiro com crianças de todas as classes socioeconômicas, e foram encontradas discrepâncias tanto entre as regiões, quanto às faixas de renda e mesmo às faixas etárias. Há também diferenças de gêneros: as meninas demonstraram usar mais o computador para desenhar (84% delas contra 76% deles) e para escrever (70% das entrevistadas contra 58% dos meninos).

O estudo foi realizado em duas etapas: a primeira com os pais ou responsáveis pelas crianças, coletando principalmente as informações sobre acesso às tecnologias no domicílio em que vivem, e em uma segunda parte, as próprias crianças responderam, com perguntas adequadas ao seu universo. Segundo os realizadores, o TIC Crianças tem como objetivo central “avaliar a posse e o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) entre crianças de 5 a 9 anos em todo o território brasileiro” e entender como essas mudanças implicarão no comportamento deste novo público.

 O CETIC.br permite baixar a pesquisa completa em site. É só clicar aqui.

*Ana Lucia Abrão – Jornalista e integrante da equipe de estudos no trabalho de conclusão do módulo Gestão do Comportamento de Consumo da pós-graduação da Faculdade Impacta Tecnologia.