Espaço de discussão sobre o comportamento de consumo das crianças na Internet

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Nativos digitais e as tecnologias dos anos 1980 e 1990

Crianças nos dias de hoje frente a frente com equipamentos tecnológicos das décadas de 1980 e 1990. O resultado e as carinhas de surpresa são bem interessantes. Legendas em inglês.

Consumidor em formação – Pesquisa TIC Crianças

*Por Ana Lucia Abrão

O Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), que há cinco anos realiza as Pesquisas sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil resolveu inovar. Desta vez, além da pesquisa da população adulta, observou também o público infantil, focando a pesquisa nas crianças de 5 a 9 anos.

São crianças que nasceram em um mundo onde a tecnologia está presente o tempo todo. Para eles, celulareUso de tecnologia por criançass e computadores são tão banais quanto a TV a cores. Ainda que, como mostrou a pesquisa, haja limitações financeiras, grande parte deles já teve ao menos um contato. De acordo com as respostas dadas pelas crianças, 57% delas já utilizaram um computador, e 29% declararam já ter usado internet. O telefone celular se revelou como a mais popular das tecnologias digitais: 64% disseram já ter utilizado, sendo que 14% dessas crianças disseram já ter um aparelho.

A pesquisa foComportamento meninas e meninosi realizada no País inteiro com crianças de todas as classes socioeconômicas, e foram encontradas discrepâncias tanto entre as regiões, quanto às faixas de renda e mesmo às faixas etárias. Há também diferenças de gêneros: as meninas demonstraram usar mais o computador para desenhar (84% delas contra 76% deles) e para escrever (70% das entrevistadas contra 58% dos meninos).

O estudo foi realizado em duas etapas: a primeira com os pais ou responsáveis pelas crianças, coletando principalmente as informações sobre acesso às tecnologias no domicílio em que vivem, e em uma segunda parte, as próprias crianças responderam, com perguntas adequadas ao seu universo. Segundo os realizadores, o TIC Crianças tem como objetivo central “avaliar a posse e o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) entre crianças de 5 a 9 anos em todo o território brasileiro” e entender como essas mudanças implicarão no comportamento deste novo público.

 O CETIC.br permite baixar a pesquisa completa em site. É só clicar aqui.

*Ana Lucia Abrão – Jornalista e integrante da equipe de estudos no trabalho de conclusão do módulo Gestão do Comportamento de Consumo da pós-graduação da Faculdade Impacta Tecnologia.

Quero a minha Caloi

*Por Nereu Leme

Dedinho digital. Parece que as crianças de hoje já nascem com esse dom na ponta dos dedos. Desde cedo, elas são estimuladas a apertar botões, falar em telefones celulares e brincar com equipamentos que são ou simulam um computador.

É só começar a se alfabetizar para aprender a escrever a palavra Google e fazer buscas de vídeos dos cantores do momento, jogos eletrônicos e brincadeiras de pintar, montar parques, circos, zoológicos, cidades.

Agora, presente de Natal para as crianças é CD do Black Eyed Peas; DVD do Jonas Brothers, máquina fotográfica digital, telefone celular, minicomputador ou Notebook, iPad.

Na minha infância, jogávamos pião na rua, fazíamos campeonato de bolinha de gude, enquanto os mais ricos andavam de bicicleta.

Poucos tinham aparelho de TV, que na maioria eram preto e branco. Apesar de já existir a TV em cores era muito cara. Telefone? Nem analógico. Usávamos o orelhão de um depósito de materiais de construção. O único telefone público da vila. A linha demorava tanto que, depois de 15 minutos esperando por ela, a gente era obrigado a voltar para o fim da fila e começar tudo novamente em busca de uma linha para completar a ligação.

Nosso sonho era ganhar uma bicicleta. Quase não havia importação e a marca do desejo era a Caloi.

Caloi

Bicicleta Caloi antiga

Hoje, as crianças querem outras coisas. Algumas até andam de bicicleta, mas o desejo de consumo é digital. Elas nem sabem o que significa a palavra “analógico”, pião, bolinha de gude.

Em tempos de dedo digital, “quero a minha Caloi”.

*Nereu Leme – Jornalista, presidente da Casa da Notícia. Trabalha com comunicação há mais de 40 anos. @nereuleme