Espaço de discussão sobre o comportamento de consumo das crianças na Internet

Posts marcados ‘Volney Faustini’

Nativos digitais

Pesquisando sobre o assunto nativos digitais, nos deparamos com o blog “Meu filho digital”, que, mais que um blog, é um projeto para tentar entender (e explicar) como funciona a cabeça dessas crianças que nasceram já nesse mundo mega tecnológico e conectado.

Para saber mais sobre o assunto, conversamos com Volney Faustini, o idealizador do projeto. Ele se auto-define como “um aprendiz, um facilitador e um provocador”, e nos diz que, por experiência própria, as descobertas que nós faremos com o “dedinho digital” irão mexer conosco e mudar nossas cabeças.

Veja como foi nossa conversa:

Dedinho Digital: Como você pensa que o marketing pode contribuir com a melhoria na educação das crianças brasileiras por intermédio da Internet? 

 Volney Faustini: Chega um dia em que a gente deixa de acreditar em Papai Noel. Creio que chegou o dia (ou o tempo) para não mais crermos nesse mundo cartesiano e linear – com pesquisas realizadas com crianças de 7 anos – dissecadas em gráficos de pizza.

Volney Faustini

Volney Faustini - do blog Meu Filho Digital

O ser humano é um pouco mais complexo. Ainda mais quando se trata de Nativos Digitais.

É bem possível que somente os ‘nativos’ venham entender os outros ‘nativos’. A mudança, em termos de ruptura e re-configuração dos paradigmas é muito profunda e radical. Os mais velhos não estão preparados. Por mais que tenhamos jovens nascidos em fins de 1980 entrando no mercado de trabalho, ainda é pouco para configurarmos a presença da nova geração – a dos nativos digitais puros.

 A Sociedade, e com ela, a escola, não estão preparadas. E a reboque vêm os pais, educadores, professores, assistentes, pedagogos… Se no mais importante ambiente fora do lar (que é a escola) isso acontece, o que dizer então de outros segmentos?

DD: E como podemos protegê-las?

VF: Em que sentido protegê-las? Dos retrógrados, do passado? É claro que as crianças (e mesmo jovens adolescentes ou universitários) nada têm de maturidade. Mas é de pequenino que se torce o pepino. Podemos sim ensinar valores, dar princípios, sermos exemplo, nos mostrarmos mais humanos e mais reais. A confiança nasce muito mais forte pela autenticidade do que pela coerência. Afinal somos todos humanos e falhos. Já verdadeiros são poucos.

DD: O que deve ser analisado pelas marcas antes de iniciar uma campanha online para esse público (5 a 9 anos)?

VF: Essa pergunta é difícil, posso passar? Sinceramente, com toda a franqueza: as campanhas morreram. Só falta chamar o carro funerário. Esse negócio de ‘top-down’, de controlar, de efetivamente manipular, já era. Não sei como seus leitores vão reagir. Pode até suprimir essa parte – mas prefiro ser verdadeiro: mesmo crianças com menos de 10 anos já desenvolvem o radar do #fail. É isso mesmo. O cheiro do artificial, do forçado… as crianças vão perceber. Haverá maneiras de seduzi-las? Provavelmente sim. Mas será correto? Será digno? O futuro certamente vai cobrar. E digo mais, as gerações e suas subdivisões não acatarão as denominações de Y ou de Z… Teremos tantas e tantas tribos, que será difícil num só jeitão e estilo agradar e fazer ‘rapport’ com eles.

 DD: Como engajar os pequenos em discussões atuais como meio ambiente?

VF: Isso é praticamente natural. Os valores estão no ar (figurativamente e literal). Então eles absorvem e se ligam nisso. Vamos ter surpresa com o desprendimento com que os mais novos continuarão a abandonar ambições e desejos que eram quase que sagrados nas gerações passadas. Itens como patrimônio, poupança, trabalho sacrificial, e outras manias, não serão herdadas pelas novas gerações. Acho que de uma maneira geral, há uma consciência ecológica que ganha força e forma desde os primeiros anos escolares… portanto deve continuar.

Agora se é para fortalecer isso, talvez dando oportunidades para que se conheça mais e se converse mais sobre isso. E as redes sociais serão um caminho muito valioso e poderoso.

 DD: Comente o que mais julgar relevante.

 VF: Meu amigo, Marcelo Estraviz, insiste que a gente não pode tão somente mesmo trabalhar por um mundo melhor. Temos que pensar sim em um mundo radicalmente melhor. Temos que erguer ainda mais alta as barras do atletismo para irmos atrás de mais recordes e novos patamares. E o mundo é o nosso campo!

 *Top down – estilo de vendas baseada na abordagem do topo para a base

*#fail – “falhar”. Expressão usada para designar qualquer coisa que dê errado

*Rapport – criar uma relação de confiança e harmonia